Crítica de Dia D: Spielberg volta aos alienígenas, mas a grande revelação fica pela metade

Crítica de Dia D, novo filme de Steven Spielberg sobre alienígenas e revelação extraterrestre
Atenção: este texto apresenta Dia D sem spoilers importantes da trama.

O novo filme de Steven Spielberg tem uma premissa poderosa sobre vida extraterrestre, conspiração e uma revelação capaz de mudar a humanidade, mas nem sempre consegue transformar suas ideias em impacto.

E se amanhã fosse revelado que alienígenas existem? Não como teoria da conspiração. Não como vídeo borrado na internet. Não como relato duvidoso em podcast. Mas como uma verdade impossível de negar.

O mundo entraria em colapso? Os governos tentariam esconder tudo? As religiões mudariam? A internet transformaria a maior descoberta da humanidade em mais uma guerra de versões? As pessoas ficariam fascinadas, apavoradas ou simplesmente seguiriam a vida como se nada tivesse acontecido?

É com esse tipo de pergunta que Dia D, novo filme de Steven Spielberg, tenta começar sua história. E a premissa é excelente.

Depois de marcar a história do cinema com filmes como E.T. — O Extraterrestre, Contatos Imediatos do Terceiro Grau e Guerra dos Mundos, Spielberg volta ao tema dos alienígenas em uma obra que parecia ter tudo para ser uma das ficções científicas mais interessantes dos últimos anos.

O problema é que Dia D tem uma ideia maior do que o filme que consegue construir.

Há momentos de brilho visual, boas cenas de perseguição, uma Emily Blunt bastante segura e aquela capacidade clássica de Spielberg de transformar movimento em espetáculo. Mas também existe um roteiro irregular, cheio de ideias promissoras que são apresentadas, sugeridas e abandonadas antes de ganharem força.

No fim, Dia D não é um desastre. Mas também não é o grande retorno de Spielberg à ficção científica que poderia ter sido.

Resposta rápida

Dia D vale a pena para quem gosta de ficção científica, alienígenas e do cinema de Steven Spielberg, mas decepciona por não explorar com profundidade a própria premissa. A direção é forte, porém o roteiro deixa muitas ideias importantes pela metade.

Informações rápidas
Título original:
Disclosure Day
Direção:
Steven Spielberg
Roteiro:
David Koepp
Elenco:
Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth, Eve Hewson e Colman Domingo
Gênero:
Ficção científica, suspense e aventura
Onde assistir:
Cinemas
Vale a pena?
Sim, mas com muitas ressalvas.
Nota:
3,0/5

Sobre o que é Dia D?

A história de Dia D acompanha diferentes personagens ligados a uma possível revelação sobre vida extraterrestre.

De um lado, há um informante tentando expor segredos que foram escondidos por décadas. De outro, uma jornalista do tempo começa a vivenciar fenômenos estranhos após uma transmissão ao vivo sair completamente do controle.

A partir daí, o filme mistura perseguição, conspiração, ficção científica e mistério para construir uma narrativa sobre o que acontece quando a humanidade se aproxima de uma verdade que talvez não esteja preparada para aceitar.

A ideia é forte porque permite vários caminhos. Dia D poderia ser um filme sobre o medo coletivo. Sobre governos escondendo informações. Sobre como a mídia lidaria com a maior notícia da história. Sobre como a religião enfrentaria a prova de que não estamos sozinhos. Sobre como a internet transformaria tudo em histeria, meme, negação ou teoria da conspiração.

Existe muito material interessante nesse ponto de partida. O problema é que o filme parece mais interessado em mover seus personagens de um lugar para outro do que em realmente explorar as consequências da própria revelação.

A promessa de Dia D é melhor que o filme

Esse é o principal problema da produção. A promessa de Dia D é gigantesca. A execução, nem tanto.

O filme vende a ideia de uma revelação capaz de mudar a humanidade, mas raramente mostra a humanidade sendo realmente transformada por isso.

Em vez de ampliar o olhar para o impacto social, político, religioso e emocional da descoberta, a narrativa se fecha em poucos personagens e em uma estrutura de perseguição que, apesar de funcionar em alguns momentos, parece pequena para o tamanho da premissa.

Não seria um problema se o drama individual tivesse força suficiente para carregar tudo. Mas nem sempre tem.

A sensação é de que Dia D está constantemente preparando o terreno para uma discussão maior. Só que essa discussão nunca chega com a intensidade esperada. O filme aponta para algo enorme, mas entrega algo contido demais.

Spielberg ainda sabe filmar o impossível

Mesmo com os problemas de roteiro, existe uma coisa difícil de negar: Steven Spielberg continua sabendo dirigir como poucos.

A câmera dele tem uma fluidez impressionante. As cenas de movimento são claras, elegantes e envolventes. Mesmo quando a ação não é tão criativa no papel, a forma como Spielberg conduz os personagens dentro dos espaços faz tudo parecer mais vivo.

Ele sabe criar deslocamento. Sabe guiar o olhar do espectador. Sabe transformar uma perseguição em uma sequência compreensível e visualmente interessante. Sabe dar energia a momentos que, nas mãos de outro diretor, talvez parecessem apenas genéricos.

Em uma época em que muitos blockbusters apostam em cortes rápidos e imagens confusas, Dia D ainda carrega um senso clássico de direção. Você entende onde os personagens estão. Entende para onde eles precisam ir. Entende o perigo da cena. Isso parece básico, mas não é.

E é justamente a direção que impede o filme de parecer completamente descartável. Sem Spielberg, talvez Dia D fosse apenas mais uma ficção científica cara com boas ideias e pouca personalidade. Com ele, o filme ganha momentos de energia, fascínio e espetáculo.

Emily Blunt segura a parte humana da história

Emily Blunt é um dos pontos mais fortes do filme.

Sua personagem começa em uma posição relativamente comum e, aos poucos, é arrastada para algo que não consegue compreender. Essa transição poderia facilmente soar exagerada, mas a atriz encontra um bom equilíbrio entre confusão, medo, curiosidade e aceitação. Ela ajuda a dar rosto humano a uma história que, muitas vezes, fica perdida em conceitos grandes demais.

Josh O'Connor também funciona bem como figura ligada ao segredo central da trama. Ele carrega uma urgência discreta, como alguém que sabe demais e já entendeu que não existe forma segura de revelar a verdade. Colin Firth aparece como presença de autoridade, representando o lado institucional da história.

O elenco é forte. Mas o roteiro não aproveita todos com a mesma eficiência. Alguns personagens parecem importantes, mas acabam servindo mais como peças para mover a trama do que como figuras realmente desenvolvidas.

Esse é outro sintoma do problema central de Dia D: há muita coisa boa em potencial, mas nem tudo recebe o espaço necessário.

"O filme tem uma das premissas mais interessantes da ficção científica recente, mas escolhe explorá-la pela superfície."

Por que Dia D decepciona?

Dia D decepciona porque parece ter medo de encarar a própria pergunta.

A existência de vida extraterrestre deveria abalar tudo: política, religião, ciência, comunicação, economia, relações humanas, percepção de mundo. Mas o filme trata boa parte disso como pano de fundo.

A sociedade em crise quase não aparece. O impacto coletivo é limitado. As discussões mais interessantes ficam sugeridas. As conspirações são citadas, mas pouco aprofundadas. E alguns elementos que poderiam render debates fascinantes acabam reduzidos a funções práticas dentro da trama.

O filme tem mistério, mas nem sempre tem revelação. Tem perseguição, mas nem sempre tem urgência. Tem ideias, mas nem sempre tem consequência. E isso pesa bastante.

O filme desperdiça a própria pergunta

A grande pergunta de Dia D é simples: o que aconteceria se a humanidade descobrisse que não está sozinha?

Mas o filme parece mais interessado em levar os personagens até essa resposta do que em discutir a resposta em si. Isso faz a narrativa parecer incompleta. Não porque ela deixa dúvidas — dúvidas podem ser ótimas. O problema é que o filme abre portas demais e atravessa poucas delas.

Ele sugere uma discussão sobre fé, mas não desenvolve. Sugere um debate sobre governo e sigilo, mas não aprofunda. Sugere uma crise midiática, mas não mostra o impacto com força. Sugere um evento global, mas muitas vezes parece acontecer em um espaço pequeno demais.

A comparação com E.T. e Contatos Imediatos é inevitável

Comparar Dia D com outros filmes de Spielberg sobre alienígenas é inevitável.

E.T. era uma história sobre amizade, infância e afeto. Contatos Imediatos do Terceiro Grau era sobre fascínio, obsessão e deslumbramento diante do desconhecido. Guerra dos Mundos usava a invasão alienígena para falar de medo, sobrevivência e relação familiar.

Todos esses filmes tinham algo em comum: o elemento extraterrestre sempre estava ligado a uma experiência humana muito clara. Em Dia D, essa conexão existe, mas não tem a mesma força.

O filme quer falar sobre espanto, revelação e mudança de consciência, mas não encontra um centro emocional tão marcante quanto os melhores trabalhos do diretor. Há imagens bonitas. Há cenas bem construídas. Há uma busca por emoção. Mas falta aquele impacto que faz uma ficção científica permanecer viva na memória.

O que ainda funciona?

Apesar das falhas, Dia D não é descartável.

A direção ainda impressiona. A atmosfera de mistério funciona em boa parte da projeção. A fotografia ajuda a criar a sensação de que algo grandioso está acontecendo. A trilha reforça o clima de descoberta. Emily Blunt entrega uma boa atuação. E a premissa continua interessante o bastante para manter o espectador curioso.

Mesmo quando frustra, o filme ainda tem algo que muitos blockbusters recentes não têm: uma tentativa real de provocar fascínio. Spielberg ainda sabe filmar pessoas diante do impossível. O problema é que, desta vez, o impossível parece mais forte do que a história construída ao redor dele.

Vale a pena assistir?

Sim, mas com muitas ressalvas.

Dia D vale mais pelo olhar de Spielberg do que pela força da história que ele escolheu contar. Quem gosta de ficção científica, alienígenas, conspirações governamentais e filmes sobre grandes revelações pode encontrar elementos interessantes na experiência.

Mas quem espera uma obra no nível de E.T., Contatos Imediatos do Terceiro Grau ou até Guerra dos Mundos provavelmente sairá frustrado.

O filme tem boas ideias. Tem momentos visualmente fortes. Tem uma premissa que desperta curiosidade. Mas também tem um roteiro que promete mais do que entrega.

No fim, Dia D parece um filme com uma grande pergunta e pouca coragem para levar essa pergunta até as últimas consequências. É envolvente em alguns momentos, bonito em outros, mas irregular demais para ser memorável.

3,0/5
Nota do Depois do Play
★★★☆☆
+
Ponto forte: A direção de Steven Spielberg ainda impressiona, principalmente nas cenas de movimento, perseguição e descoberta.
Ponto fraco: O roteiro promete uma grande discussão sobre vida extraterrestre, governo, sociedade e comunicação, mas entrega pouco desenvolvimento para ideias tão fortes.
Indicado para quem gosta de: E.T., Contatos Imediatos do Terceiro Grau, A Chegada, Guerra dos Mundos, ficção científica sobre alienígenas e histórias de conspiração.
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