The Boroughs vale a pena assistir? Crítica da série da Netflix
Quando The Boroughs foi anunciada pela Netflix, a comparação com Stranger Things era inevitável. Afinal, a série conta com os irmãos Duffer como produtores executivos, mistura mistério, ficção científica e elementos sobrenaturais, além de apresentar um grupo improvável de protagonistas enfrentando uma ameaça desconhecida.
Mas The Boroughs não tenta ser uma nova Stranger Things.
Na verdade, ela está muito mais interessada em contar uma história sobre envelhecimento, luto e mortalidade do que sobre monstros.
O problema é que, apesar de ter ótimas ideias e personagens carismáticos, a série nunca consegue transformar todo esse potencial em algo realmente memorável.
The Boroughs vale a pena para quem gosta de séries de suspense sobrenatural focadas em personagens e temas humanos. Apesar de apresentar um mistério relativamente previsível e um ritmo irregular em alguns momentos, a produção se destaca pela forma como aborda envelhecimento, luto e mortalidade.
O mistério funciona, mas não impressiona
A trama acompanha Sam, um homem que se muda para uma comunidade de aposentados após a morte da esposa. Ainda preso ao luto, ele tenta se adaptar à nova realidade enquanto acontecimentos estranhos começam a surgir ao seu redor.
Desaparecimentos, criaturas misteriosas e segredos escondidos sob a aparência tranquila da comunidade logo transformam a rotina dos moradores em algo muito mais perigoso.
O mistério é interessante o suficiente para manter a curiosidade do espectador, mas raramente surpreende.
Grande parte das revelações pode ser antecipada com relativa facilidade, especialmente quando a série começa a apontar quem realmente está por trás dos acontecimentos.
Não chega a comprometer a experiência, mas reduz bastante o impacto de algumas descobertas importantes.
Os personagens carregam a série nas costas
Se existe um motivo para continuar assistindo The Boroughs até o último episódio, esse motivo são os personagens.
Sam começa a série como um protagonista difícil de gostar. Fechado, amargurado e consumido pela dor da perda, ele leva alguns episódios para se tornar alguém com quem o público consegue criar conexão.
Felizmente, sua evolução funciona.
Boa parte disso acontece graças à amizade que ele desenvolve ao longo da temporada. São essas relações que ajudam a série a encontrar seus melhores momentos.
Mas o personagem que mais chama atenção é Wally.
Enquanto a maioria dos personagens está preocupada em resolver o mistério, Wally enfrenta algo muito mais humano: a consciência de que seu tempo está acabando.
Sua trajetória acaba se tornando uma das mais emocionantes da série justamente porque fala de algo que nenhuma criatura sobrenatural consegue superar.
A morte.
O verdadeiro tema de The Boroughs não são os monstros
Esse talvez seja o maior acerto da produção.
Os monstros existem.
A conspiração existe.
A criatura conhecida como Mãe existe.
Mas tudo isso funciona muito mais como metáfora do que como elemento central da narrativa.
No fundo, The Boroughs é uma série sobre pessoas tentando lidar com o envelhecimento.
É uma história sobre personagens que percebem que a vida está mudando, que o corpo está mudando e que o tempo não pode ser interrompido.
Enquanto alguns personagens tentam aceitar esse processo, outros fazem de tudo para escapar dele.
É justamente aí que surge o principal conflito da série.
E também sua melhor reflexão.
Nem toda ideia é bem aproveitada
Apesar das boas intenções, a série tropeça em vários momentos.
O ritmo sofre principalmente na metade da temporada.
Alguns personagens parecem receber mais tempo de tela do que realmente precisavam.
Certas subtramas são interessantes no início, mas acabam não levando a lugar nenhum.
Além disso, a ficção científica apresentada pela série funciona mais como pano de fundo do que como algo realmente aprofundado.
Quem procura respostas detalhadas ou uma mitologia complexa provavelmente sairá decepcionado.
The Boroughs prefere focar nos personagens.
Em alguns momentos isso funciona.
Em outros, dá a sensação de que a série deixou oportunidades pelo caminho.
The Boroughs é parecida com Stranger Things?
A comparação é inevitável por causa da participação dos irmãos Duffer como produtores executivos.
As duas séries compartilham mistério, elementos sobrenaturais e uma comunidade aparentemente comum escondendo segredos.
Mas as semelhanças terminam aí.
Enquanto Stranger Things aposta em aventura, ação e nostalgia, The Boroughs prefere explorar temas mais humanos e existenciais.
O foco está menos nos monstros e mais na forma como seus personagens lidam com envelhecimento, perda e mortalidade.
The Boroughs vale a pena assistir?
Sim.
Mas é importante ajustar as expectativas.
The Boroughs não é uma série revolucionária.
Não é uma produção que vai redefinir o gênero.
E certamente não está entre as melhores séries da Netflix dos últimos anos.
Por outro lado, também está longe de ser ruim.
Ela possui personagens interessantes, uma mensagem relevante e alguns momentos genuinamente emocionantes.
É o tipo de série que vale algumas horas do seu tempo, especialmente se você gosta de histórias que usam elementos fantásticos para discutir questões humanas.
Só não espere algo tão grandioso quanto sua premissa sugere.

The Boroughs: elenco, história e tudo sobre a série da Netflix dos criadores de Stranger Things
Guia completo sobre a série com elenco, criadores, comparações e tudo o que você precisa saber.